“Em verdade lhes digo: Quem não receber o Reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele.” (Lucas 18.17)
Quando uma criança recebe um presente, simplesmente estende as mãos. Os adultos costumam reagir de outra maneira. Ficam curiosos sobre quanto custou, ficam constrangidos e procuram uma forma de retribuir. Muitas vezes temos dificuldade de receber alguma coisa sem oferecer nada em troca. Talvez por isso as palavras de Jesus sejam tão difíceis para nós: para entrar no Reino de Deus, precisamos recebê-lo como uma criança.
Jesus havia acabado de chamar as crianças para junto de si quando usou aquela cena para ensinar como alguém entra no Reino. Ele não disse que devemos conquistá-lo ou fazer por merecê-lo. Disse que precisamos recebê-lo como uma criança e acrescentou que ninguém entrará de outra maneira.
Isso não significa que as crianças sejam puras ou inocentes. Elas também são pecadoras e precisam do Salvador. Jesus também não estava elogiando a falta de maturidade, como se fosse o meio de salvação. O ponto era a dependência de quem nada tinha a oferecer. Aquelas crianças precisaram ser levadas até ele. Nada podiam fazer para conquistar sua bênção; apenas a receberam.
É assim que nos aproximamos de Deus. Não temos boas obras suficientes para sermos aceitos por ele nem podemos pagar a dívida pelos nossos pecados. Chegamos como necessitados, confiando na graça que ele oferece. Entrar no Reino é estender as mãos vazias e receber de Cristo aquilo que nunca poderíamos conquistar.
Mas essa dependência não fica para trás depois que cremos. À medida que os anos passam, podemos confiar mais em nossa experiência do que em Jesus. A oração pode diminuir, a Palavra perde espaço na rotina e começamos a viver como se pudéssemos seguir sozinhos. Contudo, quanto mais crescemos na fé, mais reconhecemos quanto ainda precisamos dele. Nossa salvação não depende do que conseguimos fazer por Jesus, mas do que Jesus já fez por nós.
A vida eterna não é conquistada por mãos cheias de méritos, mas recebida por mãos vazias. Você ainda tenta merecer aquilo que Cristo oferece pela graça?


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