“E, vendo uma figueira à beira do caminho, aproximou-se dela, mas não encontrou nada, a não ser folhas. Então Jesus disse à figueira: — Nunca mais nasça fruto de você! ” (Mateus 21.19)
Há momentos em que nos preocupamos mais com aquilo que os outros veem do que com aquilo que realmente somos. Quando recebemos alguém em casa, normalmente arrumamos primeiro o que está à mostra: a sala, a entrada, a mesa. Se algum cômodo está bagunçado, basta fechar a porta. Por fora, tudo parece em ordem, mesmo que não esteja.
Com o coração, muitas vezes fazemos algo parecido. Aprendemos a escolher bem as palavras, a cuidar do que os outros veem e a manter uma imagem de piedade. Na prática, podemos participar da vida da igreja, cultivar hábitos religiosos e parecer espiritualmente saudáveis, enquanto áreas da vida permanecem fechadas diante de Deus.
Em Mateus 21, Jesus se aproxima de uma figueira cheia de folhas, mas sem fruto. À distância, ela parecia viva. De perto, revelou sua verdadeira condição. Isso acontece logo após Jesus purificar o templo, denunciando uma religião cheia de movimento, mas distante de Deus. A figueira se torna, então, um retrato visível dessa realidade: muita aparência, pouca verdade; muitas folhas, nenhum fruto.
Essa advertência continua necessária. É possível você conservar práticas espirituais, conhecer bem a linguagem cristã e ainda assim viver apenas de forma superficial diante de Deus. O perigo não está na fraqueza de quem reconhece sua necessidade, mas no engano de uma vida religiosa por fora, usada para esconder a falta de arrependimento e de piedade de vida.
Mas Jesus não expõe essa realidade para nos deixar sem esperança. Ele também mostra como deve responder quem se volta para Deus com sinceridade. Quando os discípulos se admiraram com a figueira seca, ele falou sobre fé e oração. Ele não estava ensinando que a oração serve para realizar qualquer desejo pessoal. Na verdade, ele quis mostrar aos seus discípulos que a fé verdadeira não tenta usar Deus em causa própria, mas aprende a confiar nele em todas as coisas. Em outras palavras, orar com fé é depender sinceramente do Senhor, descansar em sua vontade e confiar que ele sabe o que é bom.
Essa palavra seria pesada demais se terminasse apenas em advertência. Contudo, Jesus não veio somente para expor corações estéreis. O mesmo Cristo que condenou a figueira estava a caminho da cruz. Ele veio para salvar pecadores que não conseguem produzir fruto por si mesmos, perdoar, restaurar e dar nova vida aos que nele creem.
Por isso, você não precisa fugir ao lembrar que Cristo se aproxima. Não precisa manter portas fechadas nem sustentar uma imagem espiritual. Você pode abrir o coração, confessar sua necessidade e correr para ele.
Folhas podem impressionar por algum tempo. Portas fechadas podem esconder a desordem por um momento. Mas o Senhor vê além da superfície. Ele não vem ao nosso encontro, a cada dia, apenas para mostrar o que está vazio. Ele pretende tratar o coração e produzir, por sua graça, o fruto verdadeiro que você jamais conseguiria gerar sozinho.
Você não precisa esconder de Cristo aquilo que ele já vê. A graça que expõe a sua necessidade também é a graça que transforma o seu coração.


Adicionar comentário